terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Marcos 6 - Jesus de Nazaré, rejeitado em Nazaré

Marcos 6:1-6 fala do retorno de Jesus à sua terra, onde havia passado pelo menos 28 anos de sua vida: Nazaré. Finalmente o Mestre estava "em casa", para pregar o Evangelho e anunciar o Reino de Deus aos seus conhecidos, àqueles que haviam convivido com Ele tanto tempo. À primeira vista, nos parece que seria uma tarefa nada penosa para Cristo, muito pelo contrário. Entretanto, a recepção dos nazarenos não foi tão calorosa assim.

Diz a Palavra que, chegando à cidade num sábado, Jesus começa a ensinar nas sinagogas. Esse primeiro fato já indica que Cristo "quebra as regras", pois naquele tempo havia rigor no cumprimento de "guardar o sábado".  O "dia do descanso" havia sido restaurado centenas de anos antes, na época da província persa de Judá, pelo seu governador Neemias.

Jesus, na sua maneira de falar, com toda sua sabedoria e domínio das Escrituras, causou enorme espanto ou admiração entre os seus vizinhos e velhos conhecidos. Esses estavam atônitos (v.2). Mas, ao invés de se sentirem satisfeitos ou orgulhosos , eles se escandalizaram. "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele." (v.3) As pessoas não acreditavam, aceitavam ou davam crédito àquele que era, para eles, um carpinteiro, seu conterrâneo.

Quando os habitantes de Nazaré, que conheciam Jesus desde pequeno, bem como toda sua família, começam a citar os parentes de Jesus, é como se dissessem:  - Ele é uma pessoa normal, que vive entre nós. Nosso velho conhecido. Como pode estar agora ensinando em sinagogas? Pregando?" Muitas pessoas agem assim quando Deus começa a trabalhar na vida de alguém. Se apegam tanto ao passado , ao que estavam acostumados a ver, que acabam não aceitando ou não confiando na nova forma de ser ou de viver daquele alguém. Jesus estava passando por esse julgamento.

Não bastasse ter sido desprezado em Gadara (ou em algumas outras versões, lê-se Gerasa - Mc 5:15-20), Jesus agora sofria rejeição por aqueles que mais deveriam o apoiar ou incentivar. Isso é o que se pensa ou se espera dos conhecidos, parentes e amigos. A Galileia ( território onde se localizava Nazaré) também era desdenhada pelos habitantes da Judeia, e os nazarenos em especial, pois eram diferentes em suas maneiras e na forma de falar. Você ve o contexto em que o Filho e Deus estava inserido? De total perseguição.  Sua própria família parecia fazer restrição ao trabalhar de Jesus. ( leia Mc 3:20,21; Mc 3:31-35; Jo 7:1-9).

Visto a dificuldade que encontrara em sua própria terra, onde num primeiro momento deveria estar mais "à vontade", o Mestre disse: "Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa". (v.4) Você certamente já passou por situações em que, quem mais deveria lhe apoiar, é o primeiro a lhe virar as costas? Pois então, Jesus também passou por isso. Diz a Palavra que a incredulidade ali era tamanha, que o Senhor não pôde fazer nenhum milagre. E Ele se admirou disso. Percebe-se logo que é a incredulidade que impede o homem de ver a glória de Deus e as Suas maravilhas.

Jesus encontrou enorme resistência dentro da sua própria casa. Lá, Ele era simplesmente "o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão ..." (v.3). Isso nos alerta que nem sempre encontraremos apoiadores, cooperadores, colaboradores. Teremos também que lidar com  a oposição. Podemos associar com que o profeta Miqueias escreveu no capítulo 7 de seu livro, em que ele diz: "... os inimigos do homem são os da sua própria casa." (Mq 7:6b). Jesus Cristo também cita as mesmas palavras em Mateus 10:35. Miqueias falava sobre como era difícil confiar nos próprios parentes visto a corrupção que reinava entre o povo de Deus. Hoje em dia não é diferente: devemos vigiar! (Mq 7:5)

A Bíblia está recheada de casos em que há divergências no meio da parentela.Um exemplo que cabe citar aqui é o da família de Moisés, representada por Miriã e Arão, que criticaram o profeta por este haver tomado uma mulher etíope (Nm 12). Na verdade, a mulher foi apenas um artifício, um pretexto usado para contestar o ministério de Moisés, pois seus irmãos diziam: "Será que o Senhor tem falado apenas por meio de Moisés?..."(Nm 12:2a)

Independente de todas as adversidades, não se perturbe, muito menos pague o mal com o mal. Saiba que enquanto você estiver no centro da vontade de Deus, você também estará na mira de Satanás. Por isso, não dê ouvidos àquilo que vem para lhe desmotivar no seu serviço diante do Senhor. Se quem você achou que iria lhe apoiar não o faz, ORE! Deus tem o poder de mudar o coração. E antes de tudo, AME o seu próximo. Amor ágape, que abrange a todos, inclusive àqueles que não lhe dão retorno, "que não lhe amam de volta". Quem disse que seria fácil? "Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou."(Rm 8:37)





Um comentário:

  1. APENAS UMA OBSERVAÇÃO: JESUS NÃO QUEBRA NENHUMA REGRA AO ENSINAR NO SÁBADO. ERA COSTUME O ENSINO DA LEI NAS SINAGOGAS AOS SÁBADOS. BASTAVA A QUALQUER JUDEU LER A TORÁ EM VOZ ALTA NA SINAGOGA COM A PERMISSÃO É CLARO DO PRESIDENTE DA MESMA. NO MAIS, MUITO BOM O TEXTO.

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