domingo, 22 de junho de 2014

Daniel 4 - A loucura de Nabucodonosor

A Palavra de Deus sempre nos dá provas de que Ele, sempre esteve e sempre estará no controle da história. Até em situações críticas de guerras, desigualdades, catástrofes e outros intempéries da vida terrena, o Senhor continua agindo com todo controle, poder e autoridade sobre tudo e todos.

A Babilônia teve um período áureo em sua existência, chamado de Império Neobabilônico. O início dessa hegemonia se inicia justamente com o reinado de Nabucodonosor II (612 a.C – 539 a.C, aproximadamente).  Filho de Nabopolassar, ele reconstruiu e adornou Babilônia. Os historiadores relatam que 9/10 dos tijolos das ruínas do antigo império trazem o nome de Nabucodonosor inscrito neles.

O rei teve importante papel na história do povo de Deus.  Em 598 a.C, Nabucodonosor leva cativo o rei Joaquim, de Judá, e com ele, a corte (ou podemos dizer, a “nata”) da sociedade judaica. Esse episódio é narrado no capítulo 1 de Daniel : “No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus.” (Dn 1:1,2)

Nessa época, quatro jovens especiais são também mandados para a terra babilônica devido à sua inteligência: Hananias, Misael, Hananias e, o que mais se destacou dentro da narrativa bíblica, Daniel. Esses jovens deveriam assistir no palácio do rei, aprendendo também o idioma dos caldeus. “E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino.”(Dn1:20)

No capítulo 4 de Daniel, diz – se que Nabucodonosor “ estava sossegado e próspero em seu palácio”, quando lhe veio um sonho que muito o espantou (Dn 4: 4,5). Ansioso por descobrir seu significado, o rei expede um decreto para que todos os sábios em seus domínios venham à sua presença lhe revelar a interpretação do sonho. Mais uma amostra da fidelidade do Deus de Judá: nenhum sábio consegue entender aquele sonho, mas quando o jovem Daniel (então chamado de “Beltessazar”, seu nome babilônico) fica diante do rei, ele faz Nabucodonosor entender seu significado.

O sonho do rei babilônico mostrava uma grande árvore, com folhagem formosa e fruto abundante. Essa árvore representava Nabucodonosor.  Mas de repente, na visão, descia um “santo, um vigia do céu” que clamava forte e ordenava que fosse derrubada a árvore, e mantido somente suas raízes, “atadas com cadeias de ferro e de bronze”. E dizia mais: ...seja molhado do orvalho do céu, e seja a sua porção com os animais na erva da terra; seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos. Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele.”

A sentença era contra Nabucodonosor, ou melhor, contra sua altivez, arrogância e soberba. O rei ficaria por sete tempos (ou sete anos)  insano, vivendo entre os animais. Imagine essa situação: o grande rei, que a história diz que foi chamado de “Rei dos Reis”, ficaria louco. Rei dos Reis?  Aí estava o problema: Nabucodonosor queria um título que nunca poderia ser dele.

Deus ainda teve a misericórdia e bondade de revelar a interpretação do sonho profético para o rei babilônico. Poderia este se arrepender, se humilhar diante do Todo Poderoso, como revelam as palavras de Daniel: “Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e põe fim aos teus pecados, praticando a justiça, e às tuas iniqüidades, usando de misericórdia com os pobres, pois, talvez se prolongue a tua tranqüilidade.”  (Dn 4:27)

Porém diz a Palavra que tudo que o rei sonhou, se cumpriu. Quantas vezes não é assim conosco? Deus nos adverte dos nossos erros, porque Ele é bom e se compadece de nós. Mas ignoramos as advertências, e preferimos sofrer as conseqüências. Crentes teimosos, não atentamos para a voz do Senhor, nosso Pai e nosso melhor e maior Conselheiro.

Após doze meses, Nabucodonosor passeava pelo palácio, e proferiu as seguintes (e insanas) palavras: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência? ”(Dn 4:30). O maior erro do rei foi tomar para si o que não era seu. Poder? Glória? Só pertencem Àquele que era, que É, e que há de vir! Nabucodonosor por um momento pensou que tudo aquilo que ele havia feito e conquistado na sua trajetória era fruto da sua própria força. Que tolice! Sem Deus, nada podemos fazer, absolutamente NADA se Ele não permitir.

Há aqueles que, como o rei da Babilônia, batem no peito e dizem que são. Porém só existe Um que É: "Ainda antes que houvesse dia, EU SOU; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?"  (Is 43:13) Nabucodonosor teve que passar sete tempos sem fazer uso das suas faculdades mentais para dizer: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba.” (Dn 4:37)

Como foi dito no início desse texto, Deus sempre esteve e sempre estará no controle de tudo. Nabucodonosor cresceu e se tornou grande porque assim Ele permitiu. O profeta Jeremias, quando profetizava a respeito do cativeiro de Judá, que era a disciplina de Deus para com seu povo, várias vezes fala em nome do Senhor chamando Nabucodonosor de “Meu servo”. Veja o exemplo: “Agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo.” (Jr 27:6)


Por mais que o homem cresça, em ciência, sabedoria, independente do seu status social, ele continuará sendo barro nas mãos do Oleiro. Nunca se esqueça que a honra, a glória, o poder, o louvor e o domínio são do Senhor para todo o sempre, amém!