quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Neemias 13.4-9 - O intruso

O livro de Neemias tem como ponto principal a iniciativa do então copeiro do rei Artaxerxes em reconstruir os muros de sua cidade, Jerusalém. Nesse tempo, Judá estava cativo em Babilônia, por permissão do Senhor. Ao saber do estado deplorável em que se encontrava a sua terra, Neemias não se detém à sua situação cômoda, e alcança benevolência da parte de Artaxerxes para a grande empreitada de reconstrução dos muros.

Centralizemos o capítulo 13 e os versos destacados no título desta mensagem. O verso 4 revela que Eliasibe, sacerdote da casa do Senhor, havia se aparentado com um amonita por nome de Tobias, e o instalara justamente numa câmara grande, nos pátios do templo. (v.7) Uma atitude totalmente reprovável, já à primeira vista. Como uma pessoa poderia habitar dentro da Casa do Senhor, ainda mais se não pertencesse ao povo de Israel e nem exercia funções sacerdotais ali?

Nota-se que esse mesmo Tobias havia se incomodado com a reconstrução dos muros, e era adversário de Neemias. (Ne 4:3; 6:1,12) Agora, esse mesmo homem estava ali, abrigado dentro da Casa de Deus, a quem tanto afrontara. Era uma situação totalmente contraditória: como o sacerdote Eliasibe pôde preferir agradar a um amigo seu, fazendo-lhe uma moradia dentro de um lugar santo, a desagradar ao Todo Poderoso, dando abrigo a um inimigo de Deus?

Assim é na nossa vida. Colocamos o inimigo dentro das nossas casas, ao fazer a vontade da carne ao invés da de Deus. Tobias não se instalou ali sozinho. Eliasibe foi a "porta de entrada", a "brecha". O sacerdote talvez se sentiu na obrigação de ajuda-lo, mas foi tolo: pôs um intruso num lugar privilegiado, onde eram depositadas as ofertas e dízimos (v.5).

Cuidado. Não profane o Templo do Senhor. Não deixe o pecado manchar aquilo que é santo. A nossa vida é Templo do Espírito, mas quantas vezes o intruso quer se apoderar do que temos de mais valioso, nossa comunhão com Deus? Assim como o sacerdote Eliasibe, acabamos a agradar mais ao homem do que a Deus? 

Faça como Neemias fez. Ao saber do mal que Eliasibe havia feito, ele expulsa Tobias e manda purificar as câmaras (v.9). Expulse da sua vida e do seu coração tudo aquilo que desagrada ao Senhor e impede uma intimidade maior com o teu Criador. Não troque a tua comunhão com Ele por nada. Peça para Deus te limpar, que o sangue de Jesus te purifique de todo pecado. Amém!




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Saul e Davi: os dois primeiros reis de Israel

O povo de Deus vivia sob um regime teocrático, cuja liderança e poder estavam tão somente em Yavé. Porém, chega um momento em que o profeta Samuel, sendo já velho, constitui a seus filhos Joel e Abias como juízes em Israel. Estes, não permanecendo fiéis e retos em seu ministério, dão a deixa para que o povo peça um rei.

Samuel consulta a Deus, que atende o clamor de Israel. Ele revela ao profeta a figura do benjamita Saul, filho de Quis, homem de bens (I Sm 9:1). Saul era de belíssima aparência, tinha todo um perfil de monarca: "... e tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo." (v.2).

Saul logo é ungido rei de Israel, e tudo indicava que o moço teria um reinado promissor. Entretanto, o jovem rei entra por um caminho de desobediência perante Deus. Em I Sm 13:8 narra-se que Saul se precipitou ao oferecer holocausto ao Senhor, sendo que essa ação só cabia ao sacerdote. Não bastasse esse erro, Saul também não faz a vontade de Deus acerca dos amalequitas, logo é rejeitado como rei (leia I Sm 15).

Podemos então nos perguntar - e agora? Israel ficaria sem rei? A resposta é simples: Deus promete, Deus cumpre. Havia um jovem em Belém, pastoreando ovelhas, por nome de Davi. O Senhor manda que Samuel vá de encontro à Jessé, pai daquele jovem e de mais sete filhos. O  notável é que os "sete" estavam em casa quando o profeta chegou, menos Davi. Deus poderia ter mandado Samuel direto para o lugar onde o moço estaria.

Porém os planos de Deus confundem os nossos, e são PERFEITOS. Os irmãos de Davi, provavelmente homens viris, cheios de "pompa", por um pequeno instante enganaram o olhar humano e falho do velho profeta. Mas Deus, que vê o coração, já havia escolhido a Davi, o que estava apascentando ovelhas, só lembrado no último - e oportuno - momento.

Jessé manda chamar o seu filho caçula. Samuel diz que ninguém sentaria à mesa até que ele chegasse. Podemos imaginar a surpresa do profeta ao se deparar com aquele menino e Deus a lhe dizer: É este quem Eu escolhi. E que maior surpresa não teve o pai e os irmãos do jovem Davi, pois jamais pensariam que o pastor iria se tornar rei.  Seus irmãos talvez dissessem consigo: Se nós não somos os escolhidos, muito menos Davi, que é um simples e jovem pastor. Mas ali, no meio deles, Davi é ungido (v.13). Deus honrou Seu escolhido dentro de sua casa. Isso nos remete ao Salmo 23:5, em que se lê: "Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda."

Saul e Davi eram pessoa de aparências distintas. Porém, mais essencial que a aparência, estava a retidão perante Deus. Saul era um jovem abastado, cuja beleza era invejável. Davi era um pastor, cujo perfil não se adequava ao de um rei. A diferença essencial é que ele era segundo o coração de Deus. Por isso, Deus o exaltou.

O foco aqui não é a riqueza de Saul e a simplicidade de Davi. O ponto principal é a obediência e perseverança em fazer a vontade do Todo Poderoso. Saul foi ungido, honrado por Deus, mas não valorizou o que Ele havia lhe entregado. Desobedeceu e prosseguiu em andar errante, sendo rejeitado pelo Senhor. Não adianta ser ungido: tem que andar retamente na presença do Pai. Saul jamais poderia se gabar por ser rei, nem considerar-se superior pelo seu título. Deus não poupa a ninguém da disciplina. Se Saul não é fiel, Deus sempre prepara um Davi para fazer Sua vontade.


O plano de Deus não vai jamais ser frustrado por aqueles que neglicenciam o Seu chamado. O Senhor provê, o Senhor prepara servos com coração sincero e compromisso com Sua palavra. Aleluia!